terça-feira, 7 de abril de 2009


No Rasto do Lobo Ibérico



Vila Verde e o Fojo de Gondomar


No concelho de Vila Verde localiza-se um dos fojos do lobo mais bem preservados do nosso país. A sua visita foi o objectivo da nossa caminhada. É um belo exemplar que representa condignamente o património cultural, edificado, daquela vila. Trata-se do Fojo de Gondomar, local de concentração obrigatória das gentes da região, há umas décadas atrás. Estrutura com paredes convergentes, possui, em vez de um, como é habitual, dois poços. Estes são camuflados com ramos e folhas, para onde o animal é encaminhado, no dia da batida. Na montaria, todas as aldeias da serra próxima do fojo participavam, e tinham os seus itinerários bem determinados, transmitidos de pais para filhos.


Nas missas que precediam o evento, a batida era anunciada pelos padres das populações. As gentes das antigas Terras da Nóbrega reuniam-se após a missa dominical, para nela participarem e conviverem. As corgas e encostas da serra eram batidas por grupos de populares em grande algazarra, de varapau na mão, rufando tambores, rebentando petardos ou dando tiros de pederneira.


"Se a fera era aprisionada ou abatida pelos caçadores antes de chegar ao poço, então a festa era maior. Para quem teve a felicidade de a presenciar, jamais esquecerá este acontecimento, em que os protagonistas tinham o raro privilégio de serem ao mesmo tempo espectadores. Tudo acabava, sacando do farnel e bebendo carrascão, que isto de subir corgas ou descer encostas não se faz sem grande esforço".


A Saga do Lobo Ibérico

O lobo encontra-se, actualmente, extinto em várias regiões. Desapareceu da Grã-Bretanha, Alemanha, Países Baixos e na maior parte da Europa Ocidental. Ainda existem na Península Ibérica, Escandinávia, Itália,Grécia, Rússia e uma pequena população na França. Estima-se que em Portugal existam entre 200 a 300 animais.

O Homem fez desaparecer a sua cadeia alimentar, caçando até à exaustão diversas espécies que constituíam a sua dieta. Desta forma, a fera viu-se obrigada a alterar os hábitos alimentares, virando-se para os animais domésticos, com predominância para os rebanhos.

O povo nutria pelo lobo um ódio tremendo e tratou de conceber estratégias para dar luta ao seu maior inimigo. Com os ataques do lobo, em especial no período em que a caça era exígua, vingava-se nos rebanhos, provocando, com frequência, abalos significativos na débil economia serrana. A maior preocupação das povoações, quando o gado permanecia por longos períodos nas pastagens, era, sem dúvida, o lobo.

Surgiram assim os fojos, que não são mais do que armadilhas permanentes, fruto de um esforço colectivo, concebidas para apanhar o o inimigo, vivo ou morto.

A protecção dada pela Convenção de Berna, em 1979, contribuiu para a proibição da caça ao lobo, deixando aquelas estruturas sem utilidade. Se porventura, as montarias acabaram, o "bitcho" não ficou em descanso, uma vez que a construção das grandes infra-estruturas de transporte e também de produção de energia, além dos incêndios florestais, têm provocado grandes limitações à movimentação das alcateias.

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